Os Bastidores Mágicos do Castelo Rá-Tim-Bum: 5 Curiosidades que Você Não Sabia
Publicado no Portal Nostalgia
Se você cresceu nos anos 90 no Brasil, as palavras "Klapaucius", "Raios e Trovões!" ou a melodia do rato tomando banho certamente desbloqueiam memórias profundas. Exibido originalmente pela TV Cultura entre 1994 e 1997, o Castelo Rá-Tim-Bum é considerado até hoje uma das maiores obras-primas da televisão infanto-juvenil latino-americana.
Mas, para além da magia que víamos na tela, a produção do programa envolveu uma engenhosidade técnica, acidentes criativos e números astronômicos para a época. Prepare-se para rebobinar o tempo e descobrir os segredos de bastidores do Castelo!
1. Um Orçamento Astronômico (e Histórico)
Para os padrões da televisão pública nos anos 90, o investimento no Castelo Rá-Tim-Bum foi algo sem precedentes. A produção dos 90 episódios regulares (mais o especial de Natal) custou cerca de 2,5 milhões de dólares na época.
Desse valor, uma fatia massiva foi destinada à marcenaria, efeitos práticos e figurinos. O imenso cenário do saguão principal ocupava o maior estúdio da TV Cultura em São Paulo e precisava ser constantemente monitorado para que as luzes não derretessem as maquiagens pesadas e próteses dos atores.
2. O Figurino Pesado de Nino
O protagonista Nino, interpretado brilhantemente por Cássio Scapin, tinha 300 anos, mas a energia de uma criança de 8. Para dar vida ao bruxinho, o ator precisava carregar um figurino extremamente complexo e pesado.
As roupas cheias de camadas e texturas, somadas às botas pesadas, faziam com que Cássio perdesse peso constantemente devido ao calor dos estúdios. Além disso, o icônico cabelo espetado do personagem exigia horas de preparação diária com muito laquê e gel industrial.
3. Mau, Godofredo e a Magia dos Efeitos Práticos
Antes da era da computação gráfica de ponta acessível, quase tudo no Castelo era feito por meio de efeitos práticos, mecânicos e manipulação de bonecos.
O monstro Mau (aquele que habitava os encanamentos) e o carismático Godofredo eram operados manualmente por profissionais escondidos embaixo do cenário ou atrás de paredes falsas, passando horas em posições desconfortáveis para dar vida às criaturas.
4. A Expressividade da Cobra Celeste
A cobra Celeste, que habitava a árvore do Castelo e era conhecida por seu temperamento forte, foi um grande desafio de design. A equipe queria um visual vivo, mas que não assustasse as crianças.
A inspiração para os movimentos expressivos dos olhos e boca de Celeste veio de técnicas clássicas de fantoches americanos (estilo Muppets). A voz icônica e estridente da cobra era feita pelo ator Álvaro Petersen Jr., que curiosamente também manipulava e dublava o Godofredo!
5. O Dr. Abobrinha Quase Teve Outro Nome
O icônico vilão Dr. Pompeu Pompílio de Pomposo, o Dr. Abobrinha (vivido por Pascoal da Conceição), quase teve uma alcunha diferente. Durante a criação do roteiro por Cao Hamburguer e Flávio de Souza, o vilão imobiliário foi pensado com nomes de outras hortaliças.
"Abobrinha" acabou sendo escolhido por soar perfeitamente ridículo para um homem que se fantasiava de tudo (de cartomante a entregador de pizza) para tentar arrancar a assinatura de venda do Castelo.
O Castelo Rá-Tim-Bum provou que, com criatividade, paixão e marcenaria de ponta, o Brasil foi capaz de moldar um universo eterno que continua encantando gerações até hoje.